[Texto] Ajudantes da Assata – Silvia Baraldini

Nesta série, Ajudantes da Assata, apresentaremos textos retirados do endereço eletrônico da Assata Shakur sobre as pessoas que a ajudaram a fugir da prisão em 1979. Silvia Baraldini ajudou Assata e foi presa em 1982, transferida para Itália em 1999 e libertada em 2006. Silvia ainda é viva e mora na Itália.

 Texto retirado de http://www.assatashakur.org/silvia.htm

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Silvia Baraldini

“Hoje a noite eu vou sair para jantar. E eu vou chegar tarde em casa. Agora eu me sinto uma adulta.” Pela primeira vez nos últimos 23 anos, Silvia Baraldini falou, em 26 de setembro de 2006, como uma pessoa livre com jornalistas. Silvia Baraldini é uma ativista política de longa data que cumpriu mais de 16 anos no sistema prisional dos EUA antes de ser repatriada para a Itália em 1999 para terminar sua sentença. Os atos pelos quais ela foi condenada foram tentativa de assalto (que nunca ocorreu) e ajuda na fuga de uma prisioneira.

Silvia foi uma estudante radical nos anos 1960 e 70, lutando contra o racismo, protestando contra a Guerra do Vietnã e fazendo atos pelo direito das mulheres. Mais tarde, ela fez campanha pelo término do apartheid e colonialismo na África e, como resultado, foi convidada para a inauguração do novo governo no Zimbábue. Ela trabalhou para expor o programa COINTELPRO[1] do FBI[2] que espionou e assediou inimigos politicos nos EUA. Silvia era uma apoiadora no inicio do Partido dos Panteras Negras e membro do Comitê para Libertar os 21 Panteras[3]. Todos os 21 réus foram inocentados de todas as acusações. Da prisão, ela falou incansavelmente em nome de Mumia Abu-Jamal, o jornalista de rádio Africano-Americano no corredor da morte na Pensilvânia.

Os EUA negam que punam pessoas por suas crenças políticas. Mas Silvia se encaixa em todas as definições de presa política. Ela recebeu uma sentença inacreditável de 40 anos por ajudar na fuga da líder dos Panteras Negras que estava encarcerada, Assata Shakur. Outros três anos foram adicionados quando ela se recusou a testemunhar diante de um júri que investigava o movimento pela independência de Porto Rico.

“Eu fui presa em 1982 por acusações RICO[4] (Racketeering Influenced Corrupt Organizations), acusada de ter ajudado membros do Exército pela Libertação do Povo Negro em uma conspiração contra os Estados Unidos. Eu participei na fuga da revolucionária Assata Shakur, que hoje mora em Cuba,” diz Silvia.

Em 24 de agosto de 1999, ela foi transferida para a Itália para cumprir o resto da sua sentença. Os termos da transferência pediam que ela se mantivesse nas prisões italianas até março de 2008. Em 2001, ela foi libertada passando à prisão domiciliar, sendo permitida sair para trabalhar para a Cidade de Roma entre 9 da manhã e 2 da tarde todo dia. Felizmente, ela foi libertada em 26 de setembro de 2006, graças à lei de perdão aprovada nos meses anteriores pelo Parlamento Italiano.

[1] Counter Intelligence Program, que significa Programa de Contrainteligência, foi uma série de atividades realizadas pelo FBI com o objetivo de se infiltrar e destruir organizações revolucionárias, em especial, organizações pela libertação do povo Negro.

[2] Federal Bureau of Investigation que significa Departamento Federal de Investigação.

[3] Processo ocorrido entre 1969 e 1972 na cidade de Nova Iorque, quando 21 membros dos Panteras Negras foram presos e indiciados, acusados de planejar ataques à bomba a duas delegacias de polícia. Todos foram inocentados em 12 de maio de 1971.

[4] Acusações de de participação em atos realizados por organizações criminosas.

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