[Texto] Ajudantes de Assata – Mutulu Shakur

Nesta série, Ajudantes da Assata, apresentaremos textos retirados do endereço eletrônico da Assata Shakur sobre as pessoas que a ajudaram a fugir da prisão em 1979. Mutulu Shakur foi militante da República da Nova Áfrika e encontra-se preso até hoje. Leia e assina aqui um abaixo-assinado pedindo a Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, clemência a Mutulu Shakur. Leia sobre outras duas ajudantes da Assata: Marilyn Buck e Silvia Baraldini.

 Texto retirado de http://www.assatashakur.org/mutulu.htm

mutulu

Mutulu Shakur

Mutulu Shakur é um Doutor em Acupuntura. Dr. Shakur é também um ativista político comunitário Novo Afrikano (Preto) profundamente comprometido que tem se envolvido há anos nas lutas pela libertação e desenvolvimento do povo Novo Afrikano (Preto) nos Estados Unidos.

A consciência política e social de Shakur começou a se desenvolver cedo na sua vida. Sua mãe sofreu não apenas por ser Negra e mulher, mas ela também era cega. Foi o primeiro confronto de Shakur com o estado. A experiência de ajudar sua mãe a negociar com o sistema de serviço social fez com que ele percebesse que esse sistema não opera nos interesses do povo Preto e que o povo Preto precisa controlar as instituições que afetam suas vidas.

Não é surpresa que uma das primeiras lutas na qual ele se envolveu foi em Ocean Hill-Brownside no Brooklyn, onde pais e mães Pretos estavam lutando para controlar a densidade educacional de suas crianças. Sua participação foi baseada também nas suas próprias experiências no sistema público de ensino de Nova Iorque. “Eu me envolvi porque eu fui mal educado, abusado e desrespeitado,” disse Shakur. “Ocean Hill-Brownside era similar à luta em Soweto de 1976 na qual o povo lutou contra o sistema Bantu de educação[1].”

Como um acupuntor e um trabalhador da saúde, Shakur trabalhou de 1971 a 1978 para o Programa de Desintoxicação do Hospital Lincoln no Bronx, Nova Iorque. De 1978 a 1982, Dr. Shakur foi cofundador e codiretor da Associação Negra de Consultoria em Acupuntura da América do Norte (BAAANA) e do Instituto de Acupuntura do Harlem. No Hospital Lincoln, Dr. Shakur liderou um programa que usava acupuntura para assistir na desintoxicação de milhares de viciados em drogas. O Programa de Desintoxicação do Hospital Lincoln foi reconhecido como o maior e mais efetivo programa do seu tipo pelo Instituto Nacional em Abuso de Drogas, pela Sociedade Nacional de Pesquisa em Acupuntura e pela Sociedade Acadêmica Mundial de acupuntura.

No BAAANA, Dr. Shakur continuou seu trabalho memorável contra o vício de drogas. Ele também tratou e/ou supervisionou o tratamento de milhares de pacientes idosos e pobres que, de outro jeito, não teriam recebido tratamento desse tipo. Além disso, a clínica na BAAANA servia regularmente a líderes comunitários, ativistas políticos, advogados, doutores e várias pessoas importantes internacionais. Na BAAANA, Dr. Shakur e seu colega cofundador, Dr. Richard Delaney, treinaram mais de 100 estudantes na ciência medicinal da acupuntura. O treinamento foi realizado através de uma afiliada da BAAANA chamada Instituto de Acupuntura do Harlem. Algumas das pessoas treinadas no Instituto de Acupuntura do Harlem já eram médicos, licenciados por vários estados dos EUA.

No final dos anos 70, Dr. Shakur viajou com o Dr. Mario Wexu, Diretor de Educação da Associação Internacional Chinesa de Acupuntura de Montreal, para a República Popular da China, onde ele observou e estudou acupuntura aplicada como a principal forma de cuidado médico. O trabalho do Dr. Shakur na acupuntura e desintoxicação ficou nacionalmente e internacionalmente conhecido. O Dr. Shakur e seu colega, Richard Delaney, foram em diversas conferências através de convites e apresentaram diversas palestras.

O irmão Shakur também trabalhou com o Movimento de Ação Revolucionária (RAM) no seu início. Este foi um grupo Preto Revolucionário Nacionalista que lutou pela autodeterminação Negra e mudança socialista nos Estados Unidos.

O principal trabalho como ativista do irmão Shakur foi como cofundador, líder, trabalhador e segurança pessoal no Governo Provisório da República da Nova Áfrika[2]. O Governo Provisório foi fundado em 1968. Seus objetivos eram estabelecer uma República da Nova Áfrika (Preta) independente nos estados da Geórgia, Alabama, Carolina do Sul, Mississípi e Luisiana, os tradicionais estados do Cinturão Preto na porção sudoeste dos E.U.A. Apesar de os objetivos do Governo Provisório serem vistos com desdem pelo governo dos E.U.A., várias agências policiais estadunidenses, gigantes da mídia e brancos no geral, sua existência perdura por muito tempo e é apoiada por pessoas de reputação das comunidades Pretas de todo o país. Realmente, o PG RNA e o Movimento de Independência da Nova Áfrika, do qual é parte, nasceu a partir das várias lutas dos Pretos contra a repressão nos Estados Unidos. O Governo Provisório é, em parte, apoiado e composto por educadores, advogados, líderes políticos, trabalhadores e outras pessoas de reputação das comunidades Pretas dos Estados Unidos. O irmão Shakur também apoiou as lutas por independência Afrikana em Áfrika. Aliás, ele viajou para a nação do Zimbabué em 1980 por convite da União Nacional Afrikana do Zimbabué.

O irmão Shakur também foi um trabalhador dedicado e campeão na luta contra o encarceramento político e condenações políticas de ativistas Pretos nos Estados Unidos. Ele também sempre foi um líder na luta contra os programas ilegais dos E.U.A. e das autoridades legais locais criadas para destruir o movimento Negro nos Estados Unidos e trabalhou para expor e parar a guerra secreta dos Estados Unidos contra a sua colônia Preta.

O irmão Shakur serviu no Comitê de Defesa de Herman Ferguson, um líder político Preto e educador acusado no caso de conspiração do RAM na década de 60. O Dr. Shakur foi membro do Comitê Nacional pela Libertação de Presos Políticos. Ele também batalhou para defender legalmente e apoiar presos políticos e presos de guerra Imari Obadele, Ph.D., e o RNA 11, Rev. Bem Chavis e o Wilmington 10, Geronimo Pratt do Partido dos Panteras Negras, Assata Shakur do Exército pela Libertação do Povo Preto e Sundiata Acoli também do Exército pela Libertação do Povo Preto. Ele contribuiu com o desenvolvimento de uma petição para as Nações Unidas pela Conferência Nacional dos Advogados Negras e outros. A petição está agora no livro, Illusions of Justice, por Lennox S. Hinds. Ele tem trabalhado com a Conferência Nacional de Advogados Negros no desenvolvimento de comitês de defesa pra inúmeros presos políticos e presos de guerra Pretos.

Mais importante, o irmão Shakur foi cofundador e diretor da Força Tarefa Nacional pela Litigação e Pesquisa do COINTELPRO, que investigava, expunha e instigava processos contra o FBI e outras agências da lei dos Estados Unidos pelos atos criminais, espionagem, repressão e manobras de guerra de contrainsurgência contra a luta da Independência da Nova Áfrika e outras lutas contra a opressão nos E.U.A.

Por causa do seu trabalho no Movimento de Libertação Nacional, seus arquivos de Liberdade (FOIA) expuseram que, desde os 19 anos, as atividades do Dr. Shakur no Movimento de Libertação Nacional foram reportadas ao Diretor do FBI a cada três meses. Esses relatórios continham linguagem indicando claramente um conjunto nefasto de ações contra ele. Ele acredita, através de descoberta de ações contínuas, que mais informações importantes serão expostas, revelando uma continuação clássica do COINTELPRO levando ao seu indiciamento em 1981.

Ele foi acusado e condenado, sentenciado a 60 anos de prisão, por supostamente perpetrar uma conspiração contra o governo dos Estados Unidos, em referência às atividades do Exército pela Libertação do Povo Preto/Lutadores pela Liberdade Nova Afrikana; acusações que consistiram de expropriações de recursos, que supostamente foram para movimentos de libertação por todo os Estados Unidos e o mundo; em referência à libertação de Prisioneiros de Guerra de dentro das prisões dos E.U.A, como Assata Shakur, e a perpetuação de uma rede clandestina.

Retirado de Can’t Jail the Spirit, outubro de 1992; Editorial El Coqui, Publishers

Escreva para Mutulu Shakur:
Shakur, Mutulu #83205-012
PO Box 8500
Florence, CO 81226

Para mais informação sobre apoio ao Dr. Mutulu Shakur, veja:

www.mutulushakur.com

[1] O Levante de Soweto, ocorrido em 1976, foi uma série de protestos realizados por estudantes do ensino médio na África do Sul, ainda sob o apartheid. Os protestos ocorreram em decorrência do decreto do ano anterior que dizia que as escolas Negras deveriam possuir aulas divididas 50% em inglês e 50% na língua africâner, língua desenvolvida a partir da língua falada pelos colonizadores holandeses. Esse decreto fez parte do sistema Bantu de educação, sistema implementado em 1953 que visava por em prática práticas educaionais descriminatórias nas escolas Negras na África do Sul. A repressão ao Levante de Soweto resultou em mais de 700 mortes.

[2] Do original Provisional Government of the Republic of New Afrika.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s